Como sobreviver com o auxílio emergencial de R$ 600?

Dinheiro deve ser usado para comprar cesta básica, pagar despesas essenciais e contas em atraso. Será que o valor é suficiente para tudo isso?

(PORTAL R7) – Trabalhadores informais e pessoas de baixa renda, inscritos no cadastro social do governo e no Bolsa Família, começaram a receber a segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600 no dia 18 de maio. A ação visa minimizar o impacto da pandemia do coronavírus no orçamento de muitos brasileiros.

Cerca de 51 milhões de pessoas estão cadastradas no programa para receber o benefício durante três meses.

O valor mensal de R$ 600 pode saltar para R$ 1.200 caso dois membros da família tenham direito de receber.

auxílio de R$ 1.200 também é pago para mulheres que criam os filhos sozinhas.

E como fazer para conseguir comprar a cesta básica e pagar as despesas essenciais – conta de água, luz, aluguel etc. – com R$ 600, que é o caso da maioria dos beneficiados, segundo o valor médio pago pela Caixa?

É preciso controlar muito bem o orçamento

A educadora financeira Teresa Tayra afirma que o beneficiado deve fazer uma análise sobre o seu custo de vida e ver o quanto os R$ 600 representa para a sua realidade.

Em São Paulo, por exemplo o valor corresponde ao preço da cesta básica para quatro pessoas, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

“Para alguns, será necessário muito mais que malabarismos para fazer o dinheiro render porque economizar nas compras não será suficiente. ”

Teresa Tayra

Teresa ressalta que talvez seja necessário pensar em outras formas de aumentar a renda para ajudar no orçamento do mês.

Troca de produtos e bicos ajudam na renda mensal

Em cidades pequenas ou na periferia, segundo Fausto Augusto, diretor técnico do Dieese, o auxílio emergencial de R$ 600 representa muito mais do que simplesmente pagar a cesta básica.

“O auxílio de R$ 600 pode parecer pouco para moradores de grandes centros urbanos, mas no interior representa muito. Há famílias com mais de cinco pessoas que vivem com R$ 205 mensais do Bolsa Família”, diz Augusto.

O diretor técnico do Dieese diz que a maioria dessas pessoas não paga aluguel.

Quem mora na periferia vive em conjuntos habitacionais populares, favelas ou ocupações.

“Quem precisa pagar aluguel gasta no máximo R$ 400, o que já compromete bastante seu rendimento mensal.”

No interior do país, Augusto afirma que há uma economia à parte – não a tradicional analisada pelos economistas, segundo ele – na qual ainda é feito muito escambo (troca de mercadorias ou serviços sem fazer uso de moeda).

“Um morador planta arroz, banana, outro planta mandioca e feijão e trocam sem qualquer custo. Isso os ajuda a se manterem com pouca renda.”

Fausto Augusto

Augusto ainda conta que os moradores de favelas complementam este valor com “bicos” e coletando latinhas para vender.

Há também uma fatia que ainda conta com cesta básica doada por igreja ou projetos assistenciais.

“Eles recolhem latinhas durante a semana para comprar o frango para almoçar no domingo.”

Para Dieese, maioria deve receber R$ 1.200

Augusto acredita que a maior parte dos lares deve estar sendo contemplada com o auxílio emergencial de R$ 1.200.

“São famílias que o homem e a mulher se enquadram nas exigências do programa, ou com pais e mães que cuidam sozinhos dos filhos.”

Fausto Augusto

Ele acredita que o auxílio emergencial de R$ 600 deve ser pago apenas para trabalhadores informais que moram sozinhos.

O técnico do Dieese teme como será o futuro dessas famílias quando acabar o pagamento do auxílio.

“O ideal era que o benefício fosse mantido para ajudar essas famílias, mas o governo já sinalizou que ele será concedido por apenas dois meses.”

Habilidades podem virar fonte de renda

Para a educadora financeira Teresa Tayra, o momento exige que a população seja criativa e saia da zona de conforto.

“É hora de se reinventar e buscar novas habilidades para transformá-las em um novo negócio.”

Teresa Tayra

Vale de tudo para gerar renda extra: vender objetos que não utiliza mais, prestar consultoria, gerir mídias sociais, cozinhar, enfim, qualquer trabalho que você faça muito bem e gere renda extra, descata Teresa.

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