Filha de Bolinha cria vaquinha virtual para salvar história do pai

Vitória Cury tenta evitar ação de despejo 

(NA TELINHA) – Vitória Cury, filha de Bolinha (1936-1998), está correndo contra o tempo para salvar o acervo do pai e evitar que todos os itens que marcaram a carreira do apresentador não vá parar no meio da rua. Ela precisa pagar diversos meses de aluguel atrasado do local onde ficam os objetos e decidiu criar uma vaquinha virtual para pedir ajuda dos fãs, já que artistas procurados não demonstraram interesse.

Em conversa com a reportagem, Vitória explicou que corre contra o tempo para que a memória de um dos grandes apresentadores brasileiros entre os anos 80 e 90 não seja apagada. “Eu tô muito chateada porque onde estão as coisas do meu pai vai dar despejo. Eu tô sem tempo hábil porque achei que fosse conseguir, aí fizemos uma vaquinha e estou pedindo para os meus amigos divulgar. Eu preciso só de 1000 pessoas que depositem 25 reais cada uma”, contou ela.

Durante a entrevista com a reportagem, a herdeira de Bolinha explicou que, ao ser notificada por uma ação de despejo, foi ajudada por uma amiga, que decidiu procurar a assessoria de pelo menos dois cantores sertanejos recorrentes no programa do apresentador para pedir algum tipo de auxílio, mas sequer obteve retorno, o que a deixou muito chateada.

Diante dessa impossibilidade, Vitória foi auxiliada pela mesma amiga a criar uma campanha online para tentar arrecada os valores necessários para quitar os pagamentos atrasados do aluguel. “Eu sei que é muito chato, que é triste, mas a gente quando tá passando com alguma coisa, a gente tem que dividir com o público. Acontece que eu tinha dois shows fechados, mas devido a pandemia eles foram cancelados.

Por isso onde eu guardo o acervo do meu pai com as coisas dele, fotos, roupas, troféus, eles pediram o despejo e eu tô muito, muito preocupada porque são coisas que eu guardo com muito amor, com muito carinho e respeito há muitos anos, guardadas comigo. E eu tô pedindo pros fãs, pros amigos, aos artistas, eu fiz uma vaquinha virtual, que cada pessoa deposita 25 reais eu consigo segurar o lugar onde guarda as coisas. Eu peço a ajuda de vocês e a compreensão”, garante.

E a situação de Vitória não é das mais fáceis. Morando de aluguel, ela não encontra uma saída para resolver o acervo do pai por não ter condição financeira, já que ainda não conseguiu sequer resolver a questão do inventário do pai, morto há 22 anos. Segundo ela, toda a parte processual foi encerrada, mas ela não tem condições de pagar as taxas necessárias para por um ponto final na história.

“O inventário terminou, mas as taxas que precisam ser pagas custam quase R$ 25 mil e eu não consigo pagar”, revela sem dar muitos detalhes da situação. Ela vinha bancando tudo, inclusive o aluguel onde está o acervo de Bolinha, mas a pandemia complicou sua situação. “Eu consegui pagar até abril e de abril pra cá eu não consegui”, lamenta.

A carreira de Bolinha 

Bolinha não é brasileiro, mas vindo de família síria e italiana, chegou ao Brasil muito novo e se instalou no interior de São Paulo. Virou locutor esportivo, por conta da força de sua voz e, aos poucos foi ganhando espaço até ser contratado pela TV Excelsior, como repórter. Em 1967, foi chamado às pressas para substituir simplesmente Chacrinha (1917-1988), e não parou mais, sendo responsável por revelar dezenas de nomes do cenário artístico brasileiro, como Margareth Menezes.

Se tornou um dos grandes nomes da TV brasileira ao criar o Clube do Bolinha, programa da Band que ficou no ar por duas décadas, entre 1974 e 1994, recebendo artistas, sertanejos e, já naquela época, era responsável por representatividade com o quadro Eles e Elas, recebendo transformistas e travestis. Bolinha morreu em 1998 vítima de um câncer no aparelho digestivo.

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