Confira a análise tática do Flamengo e Sport contra o próximo jogo

Pelo Rubro-negro Carioca, Domènec Torrent está de volta após se recuperar de Covid-19 e com decisões importantes a serem tomadas, enquanto no Pernambucano Jair Ventura vive ponto alto

(AGÊNCIA ESPORTE) – Flamengo e Sport se enfrentam quarta-feira, às 19h15, no Maracanã, pela 14ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Com ambas as equipes no G-6, separadas por apenas um ponto, a expectativa é por um bom jogo no Rio de Janeiro. E cada uma delas se apega a questões táticas diferentes.

Flamengo passa por um período de reconstrução. Os 15 jogos sob o comando de Domènec Torrent não foram suficientes para a transição completa que ele propõe entre suas ideias e as de Jorge Jesus.

O surto de Covid no grupo rubro-negro também travou sua possibilidade de avanços.

O time ainda é mais individual que coletivo, já é possível observar as diferenças conceituais entre os treinadores, mas a aplicação carece de aprimoramento. Não é um defeito no trabalho do treinador, apenas consequência do aperto no calendário, que restringe os treinamentos e diminui a adaptação dos jogadores a nova plataforma de jogo, dificultando a automatização dos movimentos.

Apesar da mudança de filosofia, o melhor elenco do país minimiza os impactos da escassez de tempo para trabalhar e acelera a compreensão de um novo jeito de jogar.

Diante das necessidades, o Flamengo também mostrou sua força na formação de atletas e, em uma sequência de aguardada turbulência, com vários jogadores diagnosticados com o novo coronavírus, surgiram garotos com potencial de grande utilidade na temporada.

O time acaba de sair desse período e já mergulha na obrigação de ceder atletas para seleções nacionais e precisará se reinventar na temporada novamente.

Contra o Sport, o time carioca entrará em campo sem Isla, Rodrigo Caio, Éverton Ribeiro e Arrascaeta, além de Gabigol, machucado.

O grande desafio agora é manter o bom nível ofensivo sem contar com duas peças primordiais no setor criativo: Éverton e Arrascaeta.

O uruguaio passou a jogar mais centralizado, por trás do centroavante e voltou ao seu mais alto nível de atuação, distribuindo o jogo, achando os atacantes e sobrando em grandes atuações recentes.

Já Éverton Ribeiro mostrou no segundo tempo diante do Athletico, na última rodada do Brasileirão, todo o seu poder de interferência na partida. O jogador entrou no intervalo e transformou um time lento, sem soluções e inofensivo em uma equipe intensa, com repertório e agressiva.

Sem essas peças, o Flamengo tem duas opções: Dome, curado da Covid, pode apostar em um meio com Arão, Thiago Maia, Gérson e Diego, investindo em uma proposta mais técnica, com bons passadores, valorizando a circulação para acionar Pedro e Bruno Henrique na frente; ou, sem Diego, jogar com Lincoln aberto pela direita para ser mais impetuoso e mexer menos em sua estrutura.

O grande desafio da partida para o Flamengo será o de criar desajustes na marcação em um time de alta evolução defensiva, que não se incomoda em defender sua própria área, mas que sabe o que fazer com a bola nos pés. Talvez, por isso, ter um meio de campo com maior percentual de passes certos seja melhor do que ter contundência pelo lado.

Destaques:

  • Pedro – Centroavante habilidoso e de boa técnica, eleva o nível de construção de jogadas da equipe. Pedro auxilia na conexão entre os meias e pontas, retém a bola para maior aproximação dos companheiros e tem o faro de gol de um autêntico camisa 9. Esse ano, em 27 partidas, já balançou as redes 12 vezes, marcando em todos os últimos quatro jogos.
  • Thiago Maia – Volante de altíssima qualidade no passe, gera intensidade na saída variando passes curtos e longos e aumenta o poder de marcação na frente da área, inclusive dando maior tranquilidade aos laterais para escapadas ofensivas.
  • Bruno Henrique – No início do Brasileirão não vinha tendo as rotineiras grandes atuações que marcam a sua trajetória no clube, mas já deu respostas positivas quando voltou do departamento médico e marcou três gols nos dois últimos jogos.

Sport

Brasileirão, ninguém mudou tanto quanto o Sport. De uma equipe em contagem regressiva para o rebaixamento para um time forte, competitivo e organizado. A explicação para a evolução tem nome e sobrenome: Jair Ventura.

É claro que o sucesso de um treinador depende das ações em campo e os jogadores do Sport compraram e assimilaram as ideias do novo comandante.A estrutura de jogo se baseia no bloqueio defensivo, seja quando se retrai em seu próprio campo, no “perde-pressiona” avançado ou quando adianta suas linhas para diminuir espaço no início das jogadas do adversário, o time de Jair se comporta com organização e compactação, com movimentos coletivos.

É comum ver jogador que tem a bola dominada do time rival cercados por três rubro-negros, um diminuindo espaço, outro na sobra para evitar dribles e um terceiro fechando linha de passes, sem gestos aleatórios, que geram desarrumação.

A disciplina tática empobrece o setor construtivo de seus oponentes e tem se tornado comum vê-los exagerar em bolas alçadas na área, diante da incapacidade de furar o bloqueio montado.

Esse número elevado de cruzamentos facilita o jogo da dupla de zaga.

Maidana e Adryelson são fortes nesse fundamento e, exceto no segundo tempo contra o Bahia, costumam ser dominantes no cabeceio.

Na fase ofensiva a equipe também busca aproximações, criando o jogo apoiado e reduzindo a possibilidade de erros de passes.

A compensação por falta de maior qualidade individual é dada com organização.

O Sport saiu da penúltima para a 5ª colocação; deixou de ser um time lento e ganhou intensidade; passou de uma equipe com erros que se repetiam rodada a rodada e ganhou uma grande regularidade positiva; e, de um time que não havia conseguido virar nenhum placar na temporada, passou a ser o que não perde depois de abrir a contagem.

O desafio contra o Flamengo é reduzir o poder de fogo de uma equipe criativa e que gera muitas finalizações, sendo fundamental ocupar espaços na intermediária para reduzir a aceleração do jogo e ampliar o índice de erros de passes da equipe carioca, quebrando as conexões entre os principais jogadores de ataque.

O caminho ainda é longo e as dificuldades irão aparecer, mas o mero figurante está virando protagonista na Série A.

Destaques:

  • Thiago Neves – Foram só duas partidas incompletas, mas o jogador vem se mostrando confortável na equipe. Em campo, o meia vem atuando como um segundo atacante, por trás do centroavante, com liberdade de movimentos, mas aparecendo prioritariamente pela direita e infiltrando na área para finalizações. Na última rodada, deu sua primeira assistência em cobrança de falta lateral na cabeça do volante Marcão.
  • Luan Polli – O goleiro ganhou a titularidade no segundo jogo de Jair Ventura e vem correspondendo. Nos dois momentos mais complicados da equipe, segundo tempo contra o Fluminense e contra o Bahia, Polli fez grandes defesas e salvou, saindo de campo como o melhor jogador desses dois confrontos.
  • Marcão – Esquecido no elenco, o volante retornou ao clube no ano passado e teve poucas oportunidades. É verdade que o próprio atleta não conseguia ter bons rendimentos, mas voltou ao time no intervalo da partida contra o Palmeiras, cresceu, se firmou, e de lá pra cá, em três jogos e meio, o Leão sofreu apenas um gol. Contra o Bahia ainda foi o autor do segundo gol da equipe.

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